quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

TRAIÇÃO, HOMICÍDIO E COVARDIA

Ordem do Dia

"Meu caro soldado !

Nós, os comandantes do Comando Militar do Leste e do Departamento de Ensino e Pesquisa, escrevemos para te contar a história.

Escrevemos para cumprir nosso dever de fazer chegar a verdade aos nossos comandados.

Escrevemos para lembrar aos mais modernos soldados e aos mais antigos generais tristes fatos vividos em 1935.

Escrevemos não apenas para recordar, mas sobretudo para que tu possas refletir sobre o presente e o futuro do teu país e do teu Exército.

Há 73 anos, a traição, o homicídio e a covardia foi o caminho escolhido por soldados que aparentavam ser como tu, mas que estavam apenas e, na verdade, fantasiados de soldados.

Traidores do solene juramento de respeitar os superiores hierárquicos, de tratar com afeição os irmãos de armas e com bondade os subordinados.

Homicidas, assassinaram camaradas dentro dos próprios quartéis, recintos sagrados que, até então, compartilhavam com aqueles a quem chamavam de irmãos.

Covardes, cometeram seus crimes na calada da noite e sob o manto da madrugada.

Um imponente edifício fechava a Praia Vermelha. Surgira em conjunto com outros prédios, especialmente construídos para as comemorações, em 1908, do centenário da abertura dos portos às nações amigas. Aquele imponente edifício substituíra a velha caserna da escola militar do Brasil e abrigava, em 35, o 3º Regimento de Infantaria. Dele, hoje, permaneceram os restos mortais, velhas fotos e fortes lembranças.

Os restos mortais dos que nele e em outros quartéis foram assassinados repousam, quase todos, no mausoléu construído na mesma praça, no Rio de Janeiro, e apenas um em Belo Horizonte.

As fortes lembranças estão vivas na memória de seus descendentes e de seus irmãos de armas no respeito por seu sacrifício, no exemplo que legaram e na certeza de que não morreram em vão.

Os militares brasileiros mortos em 1935 somaram-se aos milhões de vítimas da ideologia marxista totalitária e implacável - ela, sim, a verdadeira ditadura.

E tu sabes, soldado, o que motivou militares do Exército a se transformarem em carrascos de companheiros de farda?

Foi, soldado, a cegueira produzida por aquela ideologia marxista-leninista, também chamada de comunismo, cujo veneno penetrou no sangue, nas veias e nas artérias de tantos, inclusive daqueles a quem cabia velar pela pátria. Seguidores da doutrina da sanguinária e já sepultada União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, filiados ou simpatizantes de um também já sepultado Partido Comunista, preferiram substituir o sagrado verde e amarelo pelo vermelho internacionalista que propugnava pela luta de classes. Jogavam-se operários contra patrões, subordinados contra chefes, pobres contra ricos, filhos contra pais, negros contra brancos, nativos contra descobridores, irmãos contra irmãos em nome da chamada sociedade sem classes, na qual todos seriam iguais. Pobres de espírito aqueles que acreditaram no canto da sereia !

Meu estimado soldado, o Exército foi levado a combate naquele trágico novembro de 1935 !

Lutou-se, principalmente, na Praia Vermelha e na Escola de Aviação do Exército, no Rio de Janeiro, então Capital Federal. O belo e imponente quartel, trincheira do inimigo interno, precisou ser bombardeado pelas forças legais, suas ruínas foram demolidas e o 3º Regimento de Infantaria, extinto. Lutou-se, também, no nordeste, especialmente em Natal. O governo agiu, impôs a lei e a ordem e o inimigo vermelho se rendeu. É deprimente ver suas fotos, mal uniformizados, túnicas abertas, rindo debochadamente após a capitulação.

Tu sabes que lhes foi dada anistia na década de 40? E tu sabes que um deles foi eleito Deputado pelo mesmo dito Partido Comunista? E tu sabes - imagine só - que, em plena Câmara, o Deputado, um ex-capitão, declarou que, se houvesse uma guerra entre Brasil e União Soviética, ele lutaria ao lado dos vermelhos? Pois é, e mesmo assim ainda há hoje quem procure distorcer essa e outras passagens da História.

Meu soldado, passados setenta e três anos, não penses que permaneceram apenas nas páginas e nas lágrimas da história todos os que têm o pensamento moldado por aquela torpe ideologia. Alguns sobreviventes, remanescentes e cegos pelo mesmo pensamento, aproveitando-se das liberdades democráticas, pensam descaracterizar a democracia e ousam reescrever a História sob a ótica da luta de classes. Continuam a envenenar almas e mentes e a atiçar o ódio e a vingança contra os que os derrotaram. Hoje, o seu ódio, acovardado, envenena a sociedade, mascarando o viés ideológico. Procuram convencer a todos disfarçando a vingança sob o manto de pretensos direitos.


Tentam fabricar falsos heróis com as mãos sujas de sangue de brasileiros que lutaram e garantiram a liberdade para o país. Cuidado com eles !

Contudo, tu integras, voluntariamente, uma das instituições de maior credibilidade junto ao povo brasileiro.

Tu prestaste, por opção, juramento solene perante a bandeira do Brasil, que poucos como tu homenagearam no último dia 19. Pois, sabendo do que se passou naquele triste novembro de 1935, honra os que morreram por todos nós e continua a marchar de passo certo no caminho do dever. Obedeça às ordens de teus comandantes do Exército de sempre. Este é o Exército único que, por vezes, querem separar; o exército do pacificador, o duque que levou a paz ao Maranhão, a São Paulo, a Minas Gerais e ao Rio Grande do Sul, fazendo com que brasileiros se reconciliassem em nome da Pátria. Ensinou a perdoar e a olhar para o futuro. Concedeu anistia.

Tu fazes parte daquela gente que preza atributos, valores abstratos de honra e de nacionalidade, que alguns setores tratam com determinado desprezo, como bem disse alta autoridade em recente ato na capital federal.

E, coesos, todos, tu e nós prestemos continência aos heróis e mártires de 1935. E, atentos ao presente, mantenhamos a fé no País, nas Forças Armadas, no Exército, nos homens honestos e de bem, no povo verdadeiramente brasileiro. Continuemos a nos dedicar inteiramente ao serviço da pátria. É para com ela, e só para ela, nosso solene compromisso.

E que nos sirva de alerta a conhecida frase:


'O preço da liberdade é a eterna vigilância !'

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