sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

GILMAR MENDES - a melhor defesa é o ataque

O presidente do Supremo Tribunal Federal faz todo um esforço tático para demonstrar à opinião pública e publicada que os 11 membros da corte suprema não têm ligações com Daniel Valente Dantas. As conversas legalmente escutadas na Operação Satyagraha revelam que o banqueiro temia ser preso, mas alegava que mantinha influência dentro da PF e confiava no Superior Tribunal de Justiça e no STF Supremo Tribunal Federal para se livrar de eventual condenação.Sempre agindo na tática de partir da defesa ao ataque, Gilmar Mendes, encaminhou uma representação à Procuradoria-Geral da República. O presidente do STF pede que se apure se o coronel da reserva do Exército Sérgio de Souza Cirillo, nomeado para o cargo comissionado de assessor do secretário de segurança do STF, era ou não ligado ao banqueiro do Opportunity. O curioso é: que importância tem isso? Seria o coronel o único ilustre “ligado a Dantas”? Eis a questão que a maioria prefere não responder na cúpula dos três poderes.O coronel Cirillo teria recebido nove ligações de Hugo Chicaroni, assessor de Dantas, entre os dias 4 de junho e 7 de julho, véspera da Operação Satiagraha. O período também coincide com as negociações para o pagamento de propina que Chicaroni ofereceu a um delegado da PF. Por essa razão Chicaroni acabou condenado a sete anos de prisão. O militar trabalhou no tribunal de julho a outubro deste ano como subordinado do coronel Joaquim Alonso Gonçalves, secretário de segurança do Supremo.A denúncia da suposta ligação entre o banqueiro e o coronel Cirillo foi escrita na sentença dada ontem pelo juiz Fausto de Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. O magistrado condenou Daniel Dantas a 10 anos de prisão. Mas o ilustre banqueiro poderá recorrer da sentença em liberdade.TrocaGilmar Mendes trocou a chefia do setor de segurança do STF em abril deste ano.Para recrutar o novo pessoal, consultou o general Alberto Cardoso, que foi chefe do Gabinete de Segurança Institucional no governo Fernando Henrique.O general recomendou o coronel Joaquim Gabriel Alonso Gonçalves, que foi contratado para montar a Secretaria de Segurança do STF.Relacionamento difícilAlonso convidou o coronel Cirillo para ser seu assessor e substituto imediato.Alonso foi demitido em outubro e Cirillo caiu junto.A assessoria do STF informou que o motivo da exoneração foi o gênio difícil e o comportamento intempestivo de Alonso.Meras coincidênciasO coronel Sérgio de Souza Cirillo é um dos sócios fundadores do Instituto Sagres.Também era sócio do instituto o economista Hugo Chicaroni.O professor foi um dos emissários de Daniel Dantas numa tentativa de suborno a um delegado da Polícia Federal.Espionagem negadaA entidade foi formada, quatro anos atrás, por um grupo de oficiais da reserva do Exército, para oferecer serviços de consultoria em política, estratégia e inteligência, entre outros assuntos.O diretor do Sagres, o coronel Raul Sturari, afirma que o instituto não faz espionagem e não tem vínculo algum com Dantas ou qualquer outra pessoa investigada na Satyagraha.O Sagres é registrado como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público), mas atua como empresa e tem entre seus clientes a Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, a Fundação dos Administradores do Rio Grande do Sul e a Universidade Católica de Brasília.Me dá um dinheiro aí...Até hoje, ninguém requereu à Justiça a devolução do dinheiro usado na tentativa de suborno contra a Polícia Federal para evitar a Satyagraha.O não pedido de devolução reforçaria a suspeita de que a grana tem origem escusa.Em depoimentos à PF e à Justiça, Chicaroni, condenado a sete anos de prisão, revelou que R$ 800 mil teriam sido enviados pelo Opportunity e seriam usados no pagamento da propina, e outros R$ 390 mil seriam seus.O dinheiro apreendido foi depositado na Caixa Econômica Federal.Quando a defesa esgotar as possibilidades de recurso, o montante será revertido para o Tesouro Nacional.Vai dar em quê?A Procuradoria da República no Distrito Federal investiga, civilmente, o chefe de gabinete da Presidência da República, Gilberto Carvalho.Quer saber se ele fez ou não uso de sua função para conseguir informações privilegiadas em favor do ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado que atuava a pedido do banqueiro Daniel Dantas, dono do Opportunity.O Ministério Público Federal apura indícios de que Carvalho teria se aproveitado do alto cargo que ocupa no Palácio do Planalto para averiguar se a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão ligado ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, investigava Humberto Braz, ex-presidente da empresa Brasil Telecom.Ligações perigosasNo último dia 25 de novembro, a procuradora Ana Carolina Alves Araújo Roman assinou a Portaria IC n 307/08-AA, transformando o procedimento de investigação contra Gilberto Carvalho em inquérito civil sobre Gilberto CarvalhoA investigação parte da suspeita de que Greenhalgh teria procurado Gilberto Carvalho a pedido de Dantas.A hipótese surgiu nos grampos telefônicos feitos pela Operação Satiagraha, que investigava Dantas.PérolaOntem, o ministro da Justiça, Tarso Genro, comentou que a condenação de Dantas é um sinal da independência do Judiciário num País onde as pessoas não estão acostumadas a ver “figurões” condenados.Será que Tarso diria o mesmo se seus companheiros petistas do mensalão, um dia, fossem condenados?Ou se o assassinato do companheiro Celso Daniel fosse devidamente desvendado?

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