sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

HISTÓRIA SECRETA DA INVASÃO MILITAR DE RORAIMA

Não conheço Isidro Simôes, mas seu depoimento nos traz à razão.
Gostaria de abrir contato com ele. Quem puder fazer isso, ficarei agradecida.
Ana Prudente


Esta é uma matéria que todo brasileiro-cidadão deve ler e refletir,principalmente sobre o importante e indispensável papel das ForçasArmadas Brasileiras, que mesmo desfalcadas de recursos materiais pelaretaliação revanchista do atual governo, tem nos seus valorosos homensa consciência cívica e profissional do dever a cumprir, mesmo com o sacrifício da própria vida, se necessário for.

HISTÓRIA SECRETA DA INVASÃO MILITAR DE RORAIMAdepoimento de uma testemunha ocular No momento em que tanto se fala da cobiça internacional sobre aAmazônia, da ação de ONGs de todos os tipos agindolivremente na regiãoNorte, de estrangeiros vendendo pedaços da nossa floresta, da encrencaque está sendo a homologação da Raposa/Serra do Sol, de índios contraíndios, de índios contra não-índios, das ações ou omissões da Funai,do descontentamento das Forças Armadas com referência os rumospolíticos que estão sendo dados para esta quase despovoada masimportantíssima parte das fronteiras da nação, é mais do que preciso falar quem sabe,quem conhece, quemvivencia ou quem tenha alguma informação de importância. Assim sendo, para ficar registrado e muito bem entendido, vou contarum acontecimento de magna importância, especialmente para Roraima, edo qual sou testemunha ocular da História. Corria o ano de 1993 - portanto, já fazem 15 anos. Era governo de Itamar Franco e as pressões de alguns setores nacionais evários internacionais, para a homologação da Raposa/Serra do Sol, eramfortes e estavam no auge. Tinha-se como certíssimo de que Itamarassinaria a homologação. Nessa época, eu era piloto da empresa BOLSA DE DIAMANTES, quequinzenalmente enviava compradores de pedras preciosas para Uiramutã,Água Fria, Mutum e vizinhanças. No dia 8 de setembro de 1993, aí pelas17:00, chegamos em Uiramutã, e encontramos a população numa agitaçãoincomum, literalmente aterrorizada. Dizia-se por toda parte, queUiramutã ia ser invadida, que havia muitos soldados "americanos", jávindo em direção à localidade. A comoção das pessoas, a agitação, osufoco eram tão grandes que me contaminou, e fui imediatamente falarcom o sargento PM que comandava o pequeníssimo destacamento de apenasquatro militares, para saber se ele tinha conhecimento dos boatos quecirculavam, e respondeu-me que sabia do falatório. Contou-me então queo piloto DONÉ (apelido de Dionízio Coelho de Araújo), tinha passadopor Uiramutã com seu avião Cessna PT-BMR, vindo da cachoeira deORINDUIKE, no lado brasileiro, (que os brasileiros erradamente chamamde Orinduque), contando para várias pessoas, que havia um acampamentoenorme, com muitos soldados na esplanada no lado da Guiana, na margemdo rio Maú, nossa fronteira com aquele país. Aventei a necessidade deque o sargento, autoridade policial local, fosse ver o que havia defato e falei com o dono da empresa, que aceitou, relutante e receioso,emprestar o avião para o sargento.Como, entretanto, o sol já declinavano horizonte, combinamos o vôo para a manhã seguinte. Muito cedo, opiloto Doné e seus passageiros, que tinha ido pernoitar na maloca doSOCÓ, pousaram em Uiramutã. Eu o conheci nessa ocasião, e pude ouvirdele um relato. Resumindo bastante, contou que na Guiana havia umgrande acampamento militar e que um avião de tropas estava trazendomais soldados para ali. Estávamos na porta da Delegacia, quando chegouuma Toyota do Exército,com um capitão, um sargento e praças,vindos doBV 8. Ele ia escolher e demarcar um local para a construção do quartelde destacamento militar ali naquela quase deserta fronteira com aGuiana. BV 8 é antigo marco de fronteira do Brasil com a Venezuela,onde há um destacamento do Exército, na cidade de Pacaraima. Muitointeressado e intrigado com o fato, resolveu ir conosco nesse vôo. Ocapitão trazia uma boa máquina fotográfica e emprestei a minha para osargento. O vôo foi curto, apenas seis minutos. Demos tanta sorte,que encontramos um avião para transporte de tropas,despejando uma nova leva de soldados, no lado guianense. Voando prá láe prá cá,só no lado brasileiro, os militares fotografavam tudo, e ocapitão calculou pelo número de barracas, uns 600 homens, até aquelemomento. Fiz diversas idas e vindas e, numa delas vi o transporte de tropas decolando e virando para a esquerda. Exclamei para ocapitão: eles vem pra cima de nós! Como é que você sabe? Perguntou. Viraram para a esquerda, que é o lado do Brasil e, não da Guiana,respondi. Girei imediatamente a proa para Uiramutã e, ao nivelar oavião, o capitão me disse muito sério: estamos na linha de tiro deles!Foi então que olhando para a direita, vi à curta distância e, na portalateral do transporte, um soldado branco, com um fuzil na mão. Confesso que foi um grande susto! O coração parecia-me bater duas efalhar uma. Quem conhece a região, sabe que ali naquela parte, o Maú éum rio muito sinuoso. Enfiei o avião fazendo zig-zag nesses meandros,esperando conseguir chegar em Uiramutã. Se atiraram, não ficamossabendo, mas após o pouso, havia muita gente na pista, que ficajuntinho das casas. Agitadas, contaram que aquele avião tinha giradoduas vezes sobre nós e a cidade, tomando rumo de Lethen, na Guiana,onde há uma pista asfaltada, defronte de Bomfim, cidade brasileira nafronteira. Com esse fato, angustiou-se mais ainda a população, nacerteza de que a invasão era iminente. O capitão determinou aosargento e a mim, que fizessemos imediatamente um relatório minucioso,para ser enviado ao comando da PM, em Boa Vista e partiu acelerado devolta ao pelotão de fronteira no BV 8. Na delegacia, o sargento retirou o filme da minha máquinafotográfica, para enviar ao seu comando e eu datilografei um completorelatório que ele colocou em código e transmitiu via rádio para Boa Vista. Naquela época, o chefe da S2 da PM ( Seção de Inteligência) ,era o major Bornéo. Uns quatro dias depois que cheguei desse giro das compras dediamantes, tocou a campainha da minha casa, um major do Exército. Apresentou-se e pediu-me para ler um papel, que não era outro, senãoaquele mesmo que eu datilografara em Uiramutã , e do qual o comando daPM enviara cópia para o comando do Exército em Boa Vista. Após ler econfirmar que era aquilo mesmo, pediu-me para assinar, o que fiz. Compreendi que tinha sido testemunha de algo grande, maior do que eupoderia imaginar,e pedi então ao major, para dizer o que estavaacontecendo, uma vez que parte daquilo eu já sabia. Concordou emcontar, desde que eu entendesse bem que aquilo era absolutamenteconfidencial e informação de segurança nacional.Concordei.Disse omajor, que aembaixada brasileira em Georgetown tinha informado ao Itamarati, quedois vasos de guerra, um inglês e outro, americano, haviam fundeadolonge do porto, e que grandes helicópteros de transporte de tropas,estavam voando continuamente para o continente, sem que tivesse sidopossível determinar o local para onde iam e o motivo. Caboclos guianenses (índios aculturados) tinham contado para caboclosbrasileiros em Bomfim, cidade de Roraima na fronteira, terem osamericanos montado uma base militar logo atrás da grande serraCuano-Cuano, que por ser muito alta e próxima, vê-se perfeitamente dacidade. O Exército brasileiro agiu com presteza, e infiltrou doismajores através da fronteira, e do alto daquela serra, durante doisdias, filmaram e fotografaram tudo. Agora, com os fatos ocorridos emOrinduike, próximo de Uiramutã, nossa fronteira Norte, fechava-se o entendimento do que estava acontecendo. E o que estava acontecendo? As pressões internacionais para a demarcação da Raposa / Serra do Sol apertavam, na certeza deque o Presidente Itamar Franco assinaria o decreto. Em seguida, a ONU,atendendo aos "insistentes pedidos dos povos indígenas deRoraima", determinaria a criação de um enclave indígena sob a suatutela, e aí nasceria a primeira nação indígena do mundo. Aquelastropas americanas e as inglesas, eram para garantir militarmente atomada de posse da área e a "nova nação".Até a capital já estavaescolhida: seria a maloca da Raposa, estrategicamente localizada namargem da rodovia que corta toda a região de Este para Oeste, e dividegeográfica e perfeitamente a região das serras daquela dos lavradosroraimenses - que são os campos naturais e cerrados.Itamar Franco - suponho - deve ter sido alertado para otamanho da encrenca militar que viria, e o fato é que, nunca assinou ademarcação.Nessa mesma ocasião (para relembrar: era começo de setembrode 1993),estava em final de preparativos, o exercício periódico econjunto das Forças Armadas nacionais, na cidade de Ourinhos, margemdo rio Paranapanema, próxima de Sta. Cruz do Rio Pardo e Assis, em SãoPaulo, e Cambará e Jacarezinho, no Paraná. Com as alarmantes notíciasvindas de Roraima, o Alto Comando das Forças Armadas mudou oplanejamento, que passou achamar-se "OPERAÇÃO SURUMU" e, como já estava tudo engrenado, enviou as tropas para Roraima. Foi assim que à partir damadrugada de 27 de setembro de 1993, dois aviões da VARIG, durantevários dias,Búfalos, Hércules e Bandeirantes despejaram tropas emRoraima. Não cabendo todas as aeronaves militares dentro da BaseAérea, o pátio civil do aeroporto ficou coalhado de aviões militares.Chegaram também os caças e muitos Tucano. Veio artilharia anti-aérea,localizada nas cercanias de Surumu, e foi inclusive expedido um avisopara todos os piloto civis,sobre áreas nas quais estava proibido osobrevôo, sob risco de abate.Tendo como Chefe do Comando Militar daAmazônia (CMA), o general de Exército José Sampaio Maia -ex-comandante do CIGS em Manaus, e como árbitro da Operação Surumu, ogeneral de Brigada Luíz Alberto Fragoso Peret Antunes (general Peret),os rios Maú, Uailã e Urariquera enxamearam de "voadeiras" cheias de soldados. Aviões de caça fizeram dezenas de vôos razantes nasfronteiras > do Norte. O Exército também participou com a sua aviaçãode helicópteros, que contou com 350 homens do 1º, 2º e 3º esquadrões,trazendo 15 Pantera (HM-1) e 4 Esquilos, que fizeram um total de 750horas de vôo.Vieram ta mbém cerca de 150 páraquedistas militares egente treinada em guerra na selva. A Marinha e a Força Aéreacontribuíram com um número não declarado de homens, navios eaeronaves. Dessa maneira, não tendo Itamar Franco assinado o decreto dedemarcação da Raposa / Serra do Sol e, vindo essas forças militarespara demonstrar que a entrada de soldados americanos e ingleses emRoraima, não seria feita sem grande baixas, "melou"e arrefeceu a intenção internacional de apossar-se desta parte daAmazônia, mas não desistiram.Decepcionando muito, embora sendo outro o contexto político internacional, Lula fez a homologação dessa áreaindígena,contestada documentalmente no Supremo Tribunal e, aindatentou à revelia de uma decisão judicial, retirar "na marra", osfazendeiros e rizicultores ("arrozeiros" ) dessa área, que como muitagente sabe -inclusive os contrários - tem dentro delapropriedades documentadas com mais de 100 anos de escritura pública eregistro, no tempo em que Roraima nem existia, e as terras eram doAmazonas. Agora,entretanto, os interesses difusos e estranhos demuitas ONGs, dizem na internet, que esses proprietários são"invasores", quando > até o antigo órgão anterior aoINCRA, demarcou etitulou áreas nessa região, e que a FUNAI, chamada a manifestar-se,disse por escrito, que não tinha interesse nas terras e que nelas, atéaquela ocasião, não havia índios.As ONGs continuam a fazer pressão, econvém não descuidar, porque nada indica que vão desistir de conseguiressas terras "para os índios", e de graça, levarem além de 1 milhão e700 mil hectares - quase o tamanho de Sergipe - tudo o mais que elastem: ouro, imensas jazidas de diamantes, coríndon, safira de azulintenso, turmalina preta, topázio, rutilo, nióbio, urânio, manganês,calcáreo, petróleo, afora a vastidão das terras planas, propíciasà lavoura, área quase do mesmo tamanho onde Mato Grosso planta sojaque fez a sua riqueza. Isso, é o que já sabemos, porque uma parte disso foi divulgada numa pesquisa da CPRM - Cia. de Pesquisa de RecursosMinerais, em agosto de 1988 (iniciada em 1983), chamada de ProjetoMaú, que qualifica essa parte da Raposa/Serra do Sol, como uma dasmais ricas em diamantes no Brasil, sendo o mais extenso depósito aluvional deRoraima, muito superior ao Quinô, Suapi, Cotingo, Uailã e Cabo Sobral.Essa pesquisa foi inicialmente conduzida pelo geólogo João OrestesSchneider Santos e, posteriormente, pelo também geólogo, Raimundo deJesus Gato D´Antona, que foi até o final do projeto, constatando apossibilidade da existência de até mais de 3 milhões de quilates dediamantes e 600 Kg de ouro. Basta conferir a cotação do ouro ediamantes, para saber o que valem aquelas barrancas do rio Mau, só numpequeno trecho. A "desgraça" de Roraima é ser conhecidainternacionalmente na geologia, como a maior Província Mineral jádescoberta no planeta. Nada menos que isso! E o que ainda não sabemos? Essa pesquisa, feita em pouco mais de 100quilômetros de barranca do rio, cubou e atestou a imensa riquezadiamantífera da área. Entretanto, o Estado de Roraima ainda tem coríndon, manganês, calcáreo e urânio, afora mais de 2 milhões e 100mil hectares de terras planas agricultáveis, melhoresque aquelas onde plantam soja no Mato Grosso.Izidro Simões

Um comentário:

Izidro Simões disse...

Prezada senhora, hoje encontrei esse post, em que diz que gostaria de ter contato comigo, sobre a Histório Secreta da Invasão Militar de Roraima.

Se ainda tiver interesse e eu puder ser útil, disponha e pergunte o que desejar.

izidropiloto@oi.com.br
www.izidropiloto.blogspot.com

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